Rede em defesa da Humanidade. Pablo González Casanova, Víctor Flores Olea, Ana Esther Ceceña.
Para manifestar o seu apoio a este Manifesto "Em defesa de Cuba", pode faze-lo em nome pessoal, de um colectivo, organização, etc., no site www.porcuba.org aqui

 

A propósito da Resolução de 11 de Março do Parlamento Europeu sobre Cuba, os intelectuais, académicos, lutadores sociais, pensadores críticos e artistas da Rede Em Defesa da Humanidade, manifestamos: 
 
1 - Que partilhamos a sensibilidade mostrada pelos parlamentares europeus acerca dos prisioneiros políticos. Como eles, nos pronunciamos pela imediata e incondicional libertação de todos os presos políticos, em todos os países do Mundo, incluindo os da União Europeia.
 
2 - Que lamentamos profundamente, tal como eles, o falecimento do preso comum Orlando Zapata, porém, não admitimos que sua morte,  primeira “…em quase quarenta anos” de acordo com o proprio Parlamento, seja deturpada com fins políticos muito distintos e contrários aos de defesa dos direitos humanos.
 
3 - Que  instar "…as instituições europeias, dêem o seu apoio incondicional e alento sem reservas ao início de um processo pacífico de transição política para uma democracia multipartidária em Cuba", não é apenas um acto de interferencia, que nós reprovamos em virtude de nosso compromisso com os princípios da não intervenção e autodeterminação dos povos -defendidos também pela ONU- e contra da colonização, mas que presupõe um modelo único de democracia que, por certo, cada vez se mostra mais insuficiente e questionável. A procura e o aprofundamento da democracia supõe, entre outras coisas, transcender seus níveis formais e inventar novas formas autenticamente representativas, que não necessáriamente limitadas ao pluripartidarismo que, como bem se sabe, encobre frequentemente o facto de que as decisões sobre os grandes problemas mundiais são tomados unilateralmente por pequenos grupos de interesses, com enorme poder, sobre os regimes partidários.
 
4 - Que pretender justificar uma intromissão nos assuntos políticos internos do povo cubano, manipulando mediaticamente o caso de Orlando Zapata -delinquente comum e de maneira nehuma preso político- coincide com as políticas que están sendo aplicadas na América Latina, para deter e distorcer os processos de transformação e emancipação que estão em curso e se soma ao criminoso bloqueio a que tem sido submetido o povo cubano, só pelo simples facto de não aceitar imposições e defender seu direito a decidir seu destino com dignidade e independência.
 
5 - Que partilhamos as preocupações manifestadas por parlamentares no respeito pelos direitos humanos em Cuba, mas que seja extensivo a todos os países do Mundo. Assim como se preocupam com o criminoso que morreu (em quarenta anos que não há história semelhante) também convidamos a exigir pôr um fim à ocupação de Gaza e da perseguição ao povo palestiniano, que tem causado milhares de mortes; o fim da ocupação do Iraque e no Afganistão semeando a morte e o terror nas aldeias e cidades; os bombardeamentos nesses lugares com o argumento de defender a democracia); o fim da dupla ocupação do Haiti; o encerramento da prisão de Guantánamo e a entrega desse mesmo território ao seu legítimo dono que é Cuba; a devolução das Ilhas Malvinas à Argentina; e, por suposto, o fim de um bloqueio que viola os direitos humanos do povo cubano, o qual pode pôr em dúvida a qualidade moral de quem exige tratamento humano para um criminoso, quando se o nega ao povo cubano por enteiro.
 

O assédio económico e mediático a que está sendo submetida Cuba, mesmo antes da morte do prisioneiro comum Orlando Zapata, constitui um atentado contra os direitos humanos e políticos de um povo que decidiu criar um caminho diferente.

 

Exigimos respeito aos processos internos do Povo Cubano para definir e exercer a sua democracia, consequentemente com os princípios universais da não intervenção, acordados pelas Nações Unidas.

 
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