A morte de um delinquente cubano, mascarado de preso político, após prolongada greve da fome, e a entrada em greve da fome de outro cubano são há semanas tema de editoriais e reportagens nos media internacionais. O segundo, em liberdade, exige, tal como o fez o primeiro, a libertação de todos os «presos políticos cubanos».

 

Os dois cidadãos que desafiaram o governo de Havana com tão inédita reivindicação foram imediatamente guindados a heróis pela comunicação social, de Washington a Paris, de Londres a Otawa. Simultâneamente, chovem sobre Cuba violentas críticas, acusando o seu governo de ditadura desumana e desrespeitadora dos direitos humanos.

 

Os mesmos órgãos de comunicação social que participam dessa campanha anti-cubana, de âmbito mundial, raramente dedicam um mínimo de atenção aos crimes, esses sim, muito reais diáriamente praticados no Afeganistão e no Iraque pelas forças dos EUA e da NATO que ocupam esses países. Quanto à tortura de prisioneiros em Guantanamo e aos horrores do presídio de Abu Ghrabi são temas há muito esquecidos pelos grandes jornais e emissoras de televisão do Ocidente.

 

O denominador comum nesta campanha anti - cubana  é um anti - comunismo transparente. Tudo serve aos analistas e politólogos de serviço para deturpar os factos, de modo a despejaram calúnias contra a Ilha, com tempero de ataques a Fidel, Marx e Lenine. 

 

O objectivo desta gritaria reaccionária é, afinal, o mesmo das campanhas que visam criminalizar o comunismo, equiparando-a ao fascismo.

 

Nestes tempos em que na República Checa tentam proibir o Partido Comunista, e em Riga a direita desfila prestando homenagem aos letões que combateram nas SS de Hitler contra a União Soviética, a imprensa «bem pensante», que se apresenta como democrática e anti-comunista, mantem um silêncio praticamente total sobre os crimes do fascismo.

 
Se a Alemanha da Sra. Merkel é o motor da União Europeia, para que recordar o que foi o III Reich, desaparecido há 65 anos?
 

O apagamento da História é imprescindível à sua falsificação.

 

Como é possível – coloco a questão  - que governantes e intelectuais que se  apresentam como paladinos da liberdade e da democracia se empenhem hoje em deformar e falsificar a História, esforçando-se por apagar a memória do fascismo reichiano, enquanto tudo fazem para satanizar o socialismo (e o comunismo) única alternativa à barbárie do capitalismo em crise?

 

Como é possivel que os governos e os grandes media  da Europa  assistam com indiferença  à ascenção na Holanda, na Austria e nos países bálticos de organizações  fascistas  e despejem calúnias contra  os trabalhadores gregos que lutam nas ruas em defesa dos seus direitos ?

 

Como é posssivel  que dezenas de  milhões de norte-americanos   manifestem apreço pela política do governo neofascista da Colombia,  aceitem passivamente o bloqueio a Cuba e expressem simpatia pela histérica campanha contra a Ilha socialista  transformada, de repente, em assunto do dia?

 
 

Vila Nova de Gaia, Portugal, 23 de Março  de 2010.

 
 
           
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